quarta-feira, 20 de julho de 2016


EPÍLOGO

Com a cabeça apoiada em suas mãos recordava os momentos em que tinha sido feliz a seu lado. Ainda o amava ou simplesmente gostava de pensar que sim? Gostava da ideia de amar e ser amada, mas o que tinha não seriam apenas sombras de um passado não muito distante? Não sabia, procurava a resposta no seu íntimo e não encontrava a resposta. Era muito cobarde para dar um novo rumo à sua vida. Aos 45 anos sentia-se menina e velha ao mesmo tempo. Velha para recomeçar, menina com medo de recomeçar.
Tinha-lhe pedido, implorado, chorado, gritado que largasse aquele vício que o consumia e que os afastava. Acreditou demasiadas vezes nas suas promessas quebradas precocemente. A cada promessa uma esperança que se desvanecia com dor e amargura.
Pensou, idealizou que o seu amor seria mais forte que todos os vícios. Acreditava que o amor redimiria tudo e tudo venceria. Enganou-se uma e outra vez. Desesperada via os dias sucederem-se e nada mudava. O seu vício pelo álcool era mais forte que tudo. Mais forte que o seu amor-próprio, mais forte que todos os argumentos, mais forte que a sua própria vida agora frágil, mais forte que o amor que dizia sentir.
Com a cabeça repleta de dúvidas e o coração pejado de dor olhava-o e não compreendia. Não poderia compreender nunca.  
O que lhe restava? Desespero, amargura, tristeza? Uma mão-cheia de recordações doces? Não, não lhe restava nada. Sentia-se impotente nessa luta desigual que travou demasiado tempo, anos perdidos e ensombrados pelas constantes recaídas, pelas depressões que duravam meses e onde o sol raramente brilhava. A cada recaída era pior. A cada recaída o levantar-se era mais difícil. Tinham tido tudo. Uma vida plena, feliz, repleta de cumplicidades. O álcool fora uma constante ao longo dos 18 anos em que estavam juntos. Antes mesmo até. Ela não ligou no início. Mas com o passar dos anos percebeu que num casamento não há lugar para 3. Um estava a mais. Era ela.
Demorou a consciencializar-se que quem estava a mais era ela. Não conseguia aceitar essa realidade. Pensou que com ela seria diferente. Nunca o é.
Levantou-se e com o coração partido em mil pedaços, saiu. Ele ficaria certamente triste, mas rapidamente afogaria as suas mágoas como sempre o fizera. Com ou sem mágoas. Não precisava de motivo. As coisas eram mesmo assim.
Estava na hora.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

ESPEREI-TE

Esperei-te,
E enquanto esperava, recordava,
Enquanto recordava, olhava.
Olhava e via
No tumulto das minhas lembranças
Revivia os sorrisos, os risos,
As mãos dadas, os abraços, os aconchegos,
As crises, os beijos da reconciliação...
E esperava-te...
Tal como todos os dias te esperei
Com o coração inquieto,
Repleto de dúvidas e esperanças....
Era mais um dia em que te esperava.
Nunca mais chegavas....
Inquietei-me...

Como o meu Sol apareceste,
Deste-me a mão e percebi
Que estavas aqui,
Como sempre, para sempre.
O(s) nosso(s) tempo(s)





Se vivesses no meu tempo
Ou eu vivesse no teu
Tudo seria diferente

Vivemos em realidades paralelas

O meu tempo já foi
O teu ainda será
Os nossos tempos desencontrados pelo tempo
Nunca se tocarão

Os nossos tempos são assim, distantes e paralelos
Paralelos até ao infinito

Se pudesse voar no tempo
era para ti que eu voava...
Para o teu sorriso quente,
Para o aconchego da tua alma de poeta
Repleta e incompleta


Mas não posso

O meu tempo já passou


Os nossos tempos são assim

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Desenhei-me um dia numa tela:
À beira-mar sentada
a espuma acariciava-me e sonhava.
Sentia o vento

Via o céu.
...Mergulhei,
bebi desse sal
e fiquei parada à espera.
Peguei nessa tela incompleta improvisada
e à noite aqueci as minhas mãos
com o lume que fiz numa fogueira.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Até breve


O outono chegou com as suas cores de mel e carmim... um frio pôr-do-sol, um vento que levanta suavemente as folhas já caídas e arranca mais algumas...
Os seus olhos semicerrados pelo sol que o encadeava ainda sorriam por saber que ainda cá estava... que ainda não tinha partido... um dia após o outro o outono de cores suaves transformou-se em inverno... as chuvas, o frio, a neve pintava os seus cabelos de branco e faziam-no sentir que estava na hora de partir... o momento do adeus tinha chegado... uma chuva de lágrimas rolou pelas faces... tinha chegado a hora... amanhã é primavera e a vida recomeça... apenas para alguns... mas para nós o teu sorriso permanece no eterno verão da tua memória repleta de luz, sol e vida!! Até breve!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sonho com o impossível




Sonho com o impossível
vivo na irrealidade de um sonho!
Sonho com o impossível
pois o meu sonho és tu!
Tu que estás tão longe e tão perto,
tão meu e tão livre,
tão desejado e tão indiferente!
Sonho com o impossível pois o meu sonho és tu!

Vento vem, vento vai


Vento vem, vento vai,


brisas suaves,

tempestades assustadoras!

Assim é o amor

doce e suave,

apaixonado e quente.

Assim é o amor,

que num dia de ventania

é capaz de arrasar montanhas,

ou numa brisa leve

contemplar calado

e sentir no coração

as turbulências ou a paz,

fugaz ou duradoura

do que é amar em plenitude!

Vento vem , vento vai...

Lágrimas




Por saber que todo este sofrimento era em vão


lágrimas salgadas por ti derramei,


lágrimas que brotavam do meu coração,


lágrimas que vinham do fundo da minha alma!


E pot ti derramarei mais lágrimas ainda


enquanto o meu amor durar,


pois por trás de razão destas lágrimas


apenas estás tu!




Miragens


Tudo em mim está confuso,
eu sei, a minha razão sabe
que isto não passa de mais um equívoco,
de mais uma loucura
deste coração sequioso de paixão...
este coração que não pensa,
que persiste em sentir.
Estou perdida no meio deste sentimento
que só me faz ter miragens
de um mundo que idealizo,
mas são só miragens
que a minha razão rejeita.

Porquê coração,
porque continuas a tentar fazer-me acreditar
nesta loucura?
E tu razão?
Que fazes?
faz-me caír na realidade!
Luta com o coração
e faz-lhe ver que tudo não passam de miragens!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Pensamento




"Amar é dizer sim do fundo do próprio ser, e com todas as suas consequências à pessoa querida; ajudar a descobrir e conquistar a plenitude que a fará feliz; e tudo isto mediante a entrega de tudo o que cada um é, pode, tem, deseja, sonha... e necessita."


(Tomás Melendo)

Para longe


Ao sabor desta onda
quero ser levada para longe...
Nessa onda que vem
e na qual eu penetro devagar...
Sinto as gotas de água
escorrerem pelo meu corpo
e o sabor do sal na minha boca...
Essa onda que vem desfazer-se contra a rocha secular,
essa onda que se transforma em espuma
na areia desta praia...

Quero mergulhar nela,
confundir-me com ela
e para longe ser levada!
Para longe de todos
para longe de tudo,
para longe de mim!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Anda comigo




Anda comigo ver a lua - o seu brilho
vem, quero mostrar-te o sol - o seu esplendor,
quero que sintas a chuva escorrer pelo teu corpo!
Anda comigo,
quero que vejas a ave que voa no céu,
quero que vejas o peixe nadar no rio,
quero que sintas o cheiro das rosas de Maio!

Sai desse mundo
em que vives e vem comigo!
Vem sentir o vento no teu rosto,
vem tomar banho neste mar e caminhar pela praia!
Quero que sintas o frio da noite e o calor do meu abraço!
Anda comigo ver o sol deitar-se e apanhar um punhado de areia!
Anda comigo! Dá-me a mão!
Vem sentir o arrepio do despertar
e corar por te ver desipdo:
despido dos teus medos
despido da tua muralha de indiferença!
Vem, anda comigo viver!

Tudo se esvai




Tudo se esvai:
tal como um dia veio sem pedir licença,
a Vida passa por mim
e esvai-se como o fumo,
como o vento
que sinto ou vejo
mas não consigo agarrar por mais que eu queira.

À minha volta tudo é
e não é,
já era antes de eu nascer
e será depois de eu morrer.
Eu passo e não fico
e para mim nada disto é!
São apenas imagens, nada é real!

Tudo é confuso!
Tudo passa, nada fica!
Estou obcecada por tudo passar e não parar!
Nada consigo agarrar para poder dizer: É MEU!
Mas não... nada consigo:
tudo se esvai e eu também!

Nesta estrada que percorro



Nesta estrada que percorro
deixo para trás o meu presente,
nesta estrada impessoal ficam muitas mágoas
muitas lacunas que não consigo reparar.
Não posso voltar para trás:
é uma estrada de sentido único, sem retorno.
À minha frente apenas há quilómetro de estrada
da qual não vislumbro o fim.
Não sei o que me espera,
a estrada apenas continua
e eu não sei para onde me leva...
Só sei que me afasta do que eu quero,
do que eu amo
e atira-me de novo naquilo que eu não quero,
naquilo de que um dia fugi
por uma outra estrada...
Nesta estrada que percorro
tudo fica e nada vem...
Mas eu quero voltar a correr
pela outra que está ao lado
de volta para o meu presente,
de volta para tudo o que desejo
de volta para o lugar
que me fez aprender
a amar a vida,
e me mostrou que há alegria,
que há amigos
e onde eu me encontrei;
nessa estrada que corre ao lado

desta estrada que eu percorro!

Voltar a ser livre


Tudo me acabrunha!
Quero voltar a ser livre:
quero pensar que nada temo,
não quero preocupar-me
se estás perto ou se estás longe!
Não quero viver viver em função
de uma palavra ou de um sorriso!
Quero ser livre para voltar a sorrir
sem ser para ti
quero ser livre para viver
sem ser por ti!

sábado, 13 de outubro de 2007

pensamento


O único modo de evitar os erros é adquirindo experiência; mas a única maneira de adquirir experiência é cometendo erros.


(Autor desconhecido)


domingo, 7 de outubro de 2007

Pensamento


Aquele que desperdiça o dia de hoje, lamentando o de ontem, desperdiçará o de amanhã, lamentando o de hoje.

(P.Raskin)

Pensamento - citação



Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.


(Antoine de Saint-Exupéry, in 'Cidadela')

visitei-te no teu recanto

vi-te, explorei-te devagar,

descobri a tua dor,

com o bálsamo do meu amor ungi-te,

podes sorrir,

eu estou aqui .




... oiço esse suspiro profundo, dolorido, sentido,
nos teus lábios desenha-se um sorriso
e no meu olhar cheio de dor e a alegria sinto-te.
Esta chuva fria ensopa-me a alma
mas espero pelo raio de sol que virá, talvez...
hoje a chuva é raínha...