domingo, 23 de setembro de 2007

Na noite fria



Lá fora está frio,
a noite está escura
e o brilho do teu olhar ilumina o meu sorriso.
A noite está fria,
sinto o arrepio do teu corpo junto ao meu...
Ao calor desta paixão
eu quero que me aqueças,
que me agarres junto a ti!
A noite está fria, o meu coração está quente,
vem Amor fazer amor
e esquecer que a noite fria nos espia!
Vem Amor fazer amor,
deixa que este fogo nos abrase
deixa que os teus sentidos esqueçam
que a noite fria nos espia!



... A noite finda,o dia surge
e tu já não estás aqui
pois na noite fria
o meu sonho se perdeu!...

sábado, 15 de setembro de 2007

Para a Judite


E lembrar como era bom viver,
e sentir como era bom amar
e aprender a rir com vontade
e esquecer a hora perdida, longa e infinita...
Como o mundo ressoava num badalar de sinos alegres,
como brilhava o sol naqueles dias,
como suspirava a noite cálida...

Agora o sol nasce,
a lua brilha... mas a beleza fugiu,
a alegria morreu.
A noite perdeu a magia,
o dia o seu encanto,
o mar o seu brilho
e os teus olhos fecharam-se para sempre,
para sempre...

Pensamento - Citação




"Pourtant la présence de la mort rafraîchit toujours les expériences, c'est sa fonction: nous aider à méditer sur cette chose étrange qu'est le temps"

(No entanto a presença da morte refresca sempre as experiências, é essa a sua função: ajudar-nos a meditar sobre esta coisa estranha que é o tempo.)

in Justine
Lawrence Durrell

terça-feira, 11 de setembro de 2007


O sublime ar que me alenta
o vento que acaricia os meus cabelos
todos eles elementos que a natureza nos
oferece;
a vida suspirada,
o beijo esquecido,
a mão carinhosa,
num turbilhão de mares agrestes
e brisas cálidas...
Neste fim de Verão
o teu olhar esmoreceu
para logo voltar a sorrir
e as primeiras chuvas de Outono
acompanham esta dança incessante
da vida que renasce em cada um de nós
a cada instante...

Despidos



Do tudo descoberto
o nu ficou:
os teus dedos despidos
o teu olhar liberto
a tua alma livre...
De mim só eu: única e inteira
despida dos meus medos,
a alma descoberta
o olhar transparente...


voa... voa...


Eu ficarei a ver-te partir
em busca do teu voo perfeito
em busca do teu ser completo!
Repleto de ti mesmo voltarás
e juntos voaremos
para além desta galáxia
despidos e livres eternamente...

domingo, 9 de setembro de 2007

Dias felizes


Flores,
pássaros,
crianças brincando,
gente sorrindo...
Que aconteceu a estes dias felizes
em que eu passeava
sem me preocupar com o amanhã?
Tudo era bonito,
tudo era perfeito!
Dias felizes num passado longínquo...
Agora tudo são sombras,
angústias, tristezas...
Que fazer para recuperar estes dias felizes?
Só me resta continuar a esperar
que esses dias felizes regressem
e que eu tos possa mostrar!

Palavras


Palavras soltas ao vento,

palavras ocas,

palavras vazias de sentido

que me entristecem cada vez um pouco mais...

Palavras que na tua boca

soam à mais bela melodia

mas que em mim

apenas escavem mais fundo a minha dor...

por não passarem apenas de palavras.

sábado, 4 de agosto de 2007


Fugir do nada
encontrar o não pensado
sonhar o não sonhado
desejar o não imaginado
pedir o impossível
rumar para o infinito
ver o nunca antes visto
ouvir o nunca ouvido
cantar a canção que não há
voar sem asas pelo céu
correr pela estrada que não existe
agarrar o vento
molhar-me à chuva
gritar até perder a voz
viver até morrer
e sonhar até ao fim

L'oiseau de feu



J'ai vu l'oiseau de feu

qui croisait les nuages de mon imagination;

j'ai senti l'odeur de ces roses qui parfument ce jour de Printemps,

et, dans mon coeur,

une petite graine jadis semée a poussée et a grandie!

Aujourd'hui j'ai compris le regard de l'oiseu de feu

et le pourquoi de ce parfum qui embaume ma journée:

l'Amour est ici,

il est avec moi

car c'est toi qui l'a semé.

Uma andorinha



Numa folha de papel branco desenhei uma andorinha,

dei-lhe asas, dei-lhe um coração,

e ela, de tão triste por não poder voar, chorou...

Então libertei-a, soltei-a no ar,

com um olhar ela me agradeceu

prometeu-me ir até ti

e levar-te o meu amor.





Um beijo morno
No teu corpo gélido
O suspiro da tua última viagem
Nas minhas mãos o toque frio do mármore
Fechaste os olhos e dormiste o eterno sono da morte
À Judite*

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

La nuit tombe, le monde s'endort




L'amertume du soleil qui essaie de paraître,
la tristesse de la lune qui veut percer ces nuages,
l'angoisse de cette étoile qui veut apercevoir la Terre...
Le vent se promène sans savoir où aller...
L'hirondelle se cache dans son nid,
la coccinelle s'envole vers une fleur,
la grenouille se tait...
La nuit tombe, le monde s'endort...
Entre la mer et la terre je suis,
entre l'espace et le vide
je cherche un endroit à vivre,
la tristesse m'emporte
je ne sais où...
le soleil...
la lune...
l'étoile...
le vent et l'hirondelle,
la grenouille et la coccinelle...
La nuit tombe, le monde s'endort.

O amor e uma flor


Uma flor em botão,
um sentimento que nasce,
as pétalas abrem-se,
o coração sente,
a flor sorri para o sol,
o amor cresce,
o vento abana as pétalas,
a mágoa começa,
o Inverno mata,
a dor despedaça...

Uma chama


Uma chama que queima e abrasa,
uma chama que sinto,
uma chama que cresce, cresce.
Uma chama que consome a minha alma
que me mata e me alimenta,
me depedaça e me alenta.
Essa chama que cresce, cresce e não desaparece...
Persegue-me!
Viro-me, fujo, corro e sinto-a sempre!
Essa chama chamada amor
que tanto dói
e de que tanto gosto!!

Simplesmente


Quis calar as palavras,
quis reduzi-las ao silêncio
quis afogar o sentimento...
Não quero sentir, pensar, falar...
mas as palavras emergem do silêncio
e o sentimento revela-se do vazio
que queria guardar.
Estou farta da palavras que nada dizem
e de sentimentos sem sentido!
Queria ficar nesta letargia de nada fazer
nada sentir, nada pensar...
Porque não posso simplesmente ser,
estar, sem mais atributos?
Porque é que as palavras sem sentido giram, giram
e os sentimentos vêm e vão?
Queria silenciar as palavras
reduzir o sentimento ao nada
e simplesmente ser, estar...

Um olhar de verde esperança


Um olhar de verde esperança,
um sorriso que cativa,
um sonho...
Uma Vida!!
Um mundo que transpira,
um mundo que sufoca
num abraço sempre apertado
duma Vida que não quer partir!
Um olhar de verde esperança
que sorri e brilha e fascina!
Um mundo que pisa,
um mundo que mata
uma Vida,
um sorriso...
E neste caminho que a vista alcança,
tudo se esfuma numa esperança
de tudo querer abarcar,
de tudo querer possuir!
E este sorriso que se apaga vive, quer viver!
Sufoca no peito a mágoa
do olhar de verde esperança
que nas lágrimas desliza por um sonho
uma Vida...


Para ti Judite*

Um paraíso na terra?


Um mistério por desvendar,
uma música para recordar
muitas lágrimas para chorar...
Um paraíso na terra?
Uma boca de mel;
umas mãos de seda,
um olhar penetrante,
uma presença que confunde...
um beijo que fica no desejo
uma noite na minha imaginação...
Um paraíso na terra?
Um dia quem sabe...

Rodopio


Rodopiava lentamente,
elegantemente...
o seu ar de leveza e desprendimento
fez-me desejar ser diferente.
Desejei poder também rodopiar ao vento,
e perder a cabeça...
A sua simplicidade diante da minha complexidade envergonhou-me.
Quis desprender-me deste meu ser,
esquecer quem sou,
esquecer o mundo
e simplesmente rodopiar ao vento
como aquela borboleta que gira e rodopia
até desaparecer ao fundo do jardim!

Este gosto amargo


Aqui, só e absorta nos meus pensamentos
repletos de ti
observo o horizonte:
vejo o mar sem fim,
alguns barcos, perdidos como eu, deslizam devagar.
Vejo casas, ruas,carros apressados.
E tu?
Onde estás no meio deste fervilhar de gente sempre apressada?
Aqui, na minha mão
um cigarro queima-se devagar,
devagar até chegar ao fim.
Mas depois deste cigarro
acenderei outro que se consumará
tal como se consome a minha vida.
Mas quando a minha vida se consumir não poderei acender outra...
E resta-me assim este gosto amargo
de sentir que a minha vida passa e eu não estou contigo...
Vejo o céu e o mar sempre juntos no horizonte, mas separados...
Assim me sinto eu ao pé de ti:
juntos mas separados...
A minha vida consome-se como um cigarro
e só me resta este gosto amargo
das horas tristes e sós em que não pude ser tua...

Partiste


Está escuro e tenho medo,
está frio e arrepio-me...
Lá em baixo as luzes da cidade
e os letreiros de néon relembram-me que já não estás aqui.
Partiste... Foste embora para sempre...
Pelas ruas desta cidade passeio o meu pensamento
e encontro-te em cada pormenor:
cada café, cada ruela que tu percorreste
e que agora estão vazios!
Os carros passam,
as pessoas seguem o seu caminho e faltas tu!
Foste embora... está escuro e tenho medo!
Sufoco esta dor no meu peito
e afogo a tua imagem no esquecimento,
mas tu ainda estás cá:
presente no meu coração
e esquecido na minha esperança.